terça-feira, 28 de setembro de 2010

Poema: 220V - Marcelo Asth


220V

Um plugue num benjamim;
Tomada tomada de elétrico.
Nada interruptor no fim.

- Conduz a luz sem volta
Em volts, bivolts,
Vou te estar, testar,
 Não solta!

Cabo por fio, choque acende.
Sem isolante.

- 220 vezes, volta sem resistência!

O curto circuito não apaga.

.luminescência. 



Marcelo Asth

Poema: Poderia - Marcelo Asth


PODERIA

Poderia.
Poderia supor.
Poderio.
Poderia se pôr.
Por um dia.
Pudor ria de amor.
Podre ria.
Sem podar seu torpor.


Pode um rio
Se opor a outro rio?

Supor.



Marcelo Asth

Poema: Padaria - Marcelo Asth


PADARIA

Sempre que me perguntam
Sobre o meu paradeiro,
Digo: - fui à padaria
Ver a filha do padeiro.

Lá me perco em sonhos...
Nos balcões tenho suspiros!
E se ela me dá um bolo,
Vêm os olhos-de-sogra
E me retiro.


Marcelo Asth

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Poema: Vazão - de Marcelo Asth


VAZÃO

Pois tem que ter,
Pra ser perfeito,
Uma distância do perfeito.
Ter como eu três peitos,
Sete vidas, sete chaves,
Um só coração.
Um zelo que condena o jeito,
Um cabelo que convida a mão.

Convida à vida a ação;
Amor nada modesto
No protesto da manifestação.

Pois deve haver,
Pra ser perfeito,
Uma urgência do sujeito.
Não ser como eu, ser de outro jeito.
Não despedida ou entrave. 
Uma só devoção.
Um desvelo mais que suspeito,
Modelo de esmero – espero –
E sublime paixão.

Sublinhe minha intenção
De voz e gesto
E a todo o resto me dá vazão.


Marcelo Asth



Marcelo, quando comecei a postar seus poemas, sem entender o que acontecia direito, parecia que eu lia algo muito próximo a mim. Vieram momentos de muita loucura, tentando responder de que forma chegavam aqui em casa. Quem era você? Agora te conheço. Hoje percebo como passei por tudo isso, por tantos sustos sob a porta e o quanto esse mistério é insignificante. Receber estes poemas é rotina, uma explosão.

Pra que entender o que na vida é bom?

Vejo por estes últimos poemas que você está em suspensão. Alumbramento? Imagino tua trajetória, o que você faz, o que vive e como depois escreve. 

Tenho sonhado constantemente com León, meu irmão que dormia na cama de cima. No penúltimo sonho ele gritava o seu nome, Marcelo. Eu gelei ao acordar. Mas esse mistério também é insignificante. Pra que respostas? 

Fico pensando em loucura. Mas se é algo que me tem feito bem, faz refletir...

Os poemas que começaram a chegar no mês de setembro (por debaixo da porta, como sempre), vieram em envelopes de cores diferentes. Achei engraçado. Também as letras mudaram de fonte e os papéis de textura. As fotos vêm muito perfumadas. Por que essa renovação?

Bloba. 

domingo, 26 de setembro de 2010

Poema: Baú - Marcelo Asth


BAÚ

Guardei no baú teus poemas,
Pequenas letrinhas e esquemas -
Meus planos falíveis de me entregar.

E algumas pétalas de rosa -
da que eu colhi outro dia -
que boba amarelecia 
aguardando esperançosa. 

Assim eu criei teoremas
E meteoros que não são mais problemas...
Aturdem o meu solo, rompem meu sentido,
Esmagam o meu peito enfraquecido.

Pode ser sincero assim,
Dizer o que incomoda em mim.

Diz que pula do meu trampolim
Pra rir dentro da memória em festa.

Você vem com sua mecha
Pra estancar minha lacuna.
Refrear águas que fecha 
Em minha desfortuna.

Segura a onda
E solta onde?
Pra onde vai o eco
Que a mim se responde?
Onde?

Mas eu quero é um torpor de paz,
Um filme mudo, dois vendo.
Carinho hipnótico no solstício de verão.

Amor de nós, amor de mais,
Um choque e tudo envolvendo.
Caminho apoteótico de início de paixão.

Tanta coisa pra dizer...
Guardar no baú meus poemas,
Extratos, estratagemas,
Resultados dos problemas...

Então vamos nos querendo assim,
Num outro plano, extracorpóreo,
Extraterrestre da terra do outro.
Solto, solto, arbóreo jardim.

Sem medo de te falar o que quero,
Do jeito que consigo,
Na hora em que eu espero.
Segue. Te sigo. Te quero.

Deixa essa onda -
Responde meu eco -
E guarda no peito comigo.

Alumbramento.

Não há espaço.
Tira o cansaço e o choro pra dentro.
Agora enche o vazio
Com teu mar de encantamento.
E com meu rio.


Marcelo Asth

sábado, 25 de setembro de 2010

Poema: Rotunda - de Marcelo Asth


ROTUNDA

O meu olhar é uma rotunda
Que se abre funda pro teu encanto.
Em cada palco, em cada canto
Atua uma peça profunda,
De gesto profundo, de canto oriundo
De qualquer canto desse meu mundo.

Projeta tua voz, o teu corpo e me explora.
Palavra do texto que cabe na boca.

Atrás da bambulina sou eu tua menina,
Reflexo de um refletor.

Meu foco na tua vida,
A cara com luz invertida,
Talento rápido, na espera,
Na volta, na ida, assim.

De se apresentar pra mim.


Marcelo Asth

Poema: Rotina - de Marcelo Asth


ROTINA

Pode parecer loucura
Mas se pudesse haver agora
Uma costura em tua costura...
Vê se assim me atura,
Na fissura do teu ser.

Nada paulatina
Tua imagem invasora de mente
Não mente, sorri simplesmente,
Grudada na minha rotina.

Marcelo Asth