sábado, 16 de outubro de 2010

Poema: Pingos



PINGOS

Possibilidade de se encontrar
dentro de si a qualquer hora.
Em qualquer lugar que esteja perdido,
abaixo de alguma referência de partida.
Pode ser num tempo esgarçado
ou sejamos esses atemporais temporais 
que caem de um céu anacrônico
e lambuzam nossa densa mata
com os pingos gelados da chuva que nos leva.
A nós, que nús, nos lava.


Marcelo Asth



Oi Marcelo, tenho me encontrado ouvindo música e lendo cartas antigas. Tenho algumas fotografias, mas não tiro da caixa há tempos. Prefiro as palavras. Aqui tem caído algumas chuvas, mas nunca me molham. Amo a possibilidade da janela.

Não se resfrie!

Bloba



sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Poema: Habitat


HABITAT

Creio em tudo isso.
Meu pensamento migrou de mente.
Habitualmente minha mente habita a tua
E sabendo disso, tua mente se sente nua.


Marcelo Asth

sábado, 9 de outubro de 2010

Poema: Catódico


CATÓDICO

Antanho
Outono castanho
Estranho antes de ti
Agora pastor e rebanho
De si, de dois
Juntando-se no banho
Espuma e jato médio
tépido arrepio
O raio catódico
Da televisão
Convulsiona o tédio
Mas gozo alegria
Planejando invasões
Invenção dos seus ventos 
Turbulento de euforia
Sou uma cabeça que pulsa
Pensante eterna do teu enigma
Quico constância no teu horizonte
Parece sexo a minha dança
Carece rima a minha folia
Bebe da fonte dos bêbados românticos
Completa aqui embaixo a frase
O que quero é ___________
Na mais alta ____________
Precisando que ______________
Sejam mortas ____________
Sobrepujo _________ de mar,
de cantoria ___________
____________ pra não conceber
A _________ da filosofia
Porque amo me ______
Pra amar-te em ___________
Pois planejo invasões
E jorro _______ e alegria
De beijar o teu ___________
Na espera da tua _________



Marcelo Azevedo



Marcelo, que é também Azevedo, não consegui completar as lacunas. Sou especialista em não conseguir. Eu vou te dizer que pela primeira vez venho reclamar dos teus poemas. Não pelo que escreve, mas pela quantidade de cartas. Viraram um capacho interno do meu quarto. A cama de cima do beliche vai estourar. Os envelopes levantam o volume. Estou postando o que posso, tenho me dedicado a isso. Não tenho nada pra fazer, além de pensar e ficar numa estranheza espetacular. Aí pego teus originais (será que são?) e passo pro computador, junto às fotos. Ontem recebi 34 poemas em envelopes de cores sortidas e grossa gramatura. Um cheiro em cada poema. 

Comecei a ir a um médico especialista que podia me ajudar a entender algumas coisas da minha vida e mente, mas eu senti que ele riu da minha loucura. Parece ser sério demais receber teus poemas por debaixo da minha porta, sem chance de truques. O que eu posso fazer? Palavras se infiltram.

O especialista me disse: enfrente seus medos. Aí então, sem muita abertura, mas seguindo o conselho, enfrento você, Marcelo: 

vá consumir alegria.

Bloba 

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Poema: Arde


ARDE

Te entendo
Por não me entender.
Te estendo
Por mão me conhecer.

Antes tarde
Do que só acompanhado,
Com o apanhado de si
No que só arde calado.


Marcelo Asth

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Poema: Rima


RIMA

Madrugada alegria,
Mistura de mistério,
Água e areia fina.
Sorriso de bacante,
Minha coisa minha,
Jeito de bacana,
Sede de salina.
Um tom exorbitante
Que alucina,
Que acelera,
Que ilumina
Minha imensa sina.
Que me encerra
Na espera densa
Dessa rota,
Minha rotina.


Marcelo Asth

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Poema: Temporeal


TEMPOREAL

Na temporalidade da matéria,
Transmuta o dia, gere horas
Que não passam, emperradas.

Relógios de antiquários
Têm desejos digitais.
Os dedos implorando.
Breves toques.
Marcam o atrás.

Atrás de quê?
O que é o tempo?
É o que engasga minutos
Nos mistérios, horas que furto,
Pra eu esperar você real sem- tempo.
Com temporal intenso e curto


Marcelo Asth

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Poema: Labareda - de Marcelo Asth


LABAREDA

Bota fogo pelas ruas,
Pelos caminhos escuros.

Labaredas pelos muros
De nossas passagens nuas.

Incêndio na noite leda,
Quente faísca que acende.

Chama de labareda
Esse fogo que ascende.



Marcelo Asth



Hoje assisti de madrugada a uma queimada num morro próximo ao sítio em que moro. Fiquei vendo da janela, num outro tempo, a beleza daquela cor que ardia e lambia o mato. Fascinante. E chega teu poema cheio de labareda!

Bloba