sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Poema: Erupção

ERUPÇÃO

Quando em sonambulismo
nos bulinamos,
ebulimos, fervemos,
o sono vaporizamos.
Muvuca de bole-bole,
um vuco-vuco que rebole
dois vulcões de erupção mole;
crateras duras de jorro de lava.
Leva o rio de massa quente
a gente que passa e escorre no morro,
no fogo que fura a terra trilhada.
Tática tátil no corpo,
o sonho prossegue acordado,
explodindo poderosos
a força do magma lançado.


Marcelo Asth

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Poema: Asa

ASA

Certeza de que vôo alto,
disfarce cerúleo
de céu na face desmascarada.
Meu rosto respira vento
e o resto só movimento
de escalada,
na aérea trilha,
de alma lavada.

Bato quase asas de fada,
etérea maravilha
de calma levada.

O mundo é ninho
e eu procuro.
Não há solidão,
pois os sóis
me dão brasa.
Me curo.
E teu mundo,
imensidão
- asseguro -,
é minha casa.

Marcelo Asth

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Poema: Momento


MOMENTO

Tarde estica,
o corpo alonga,
prolongamento.
A rosa abre,
o peito se expande,
grande aumento.
O disco se toca,
vida se musica.
Nosso momento.


Marcelo Asth

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Poema: Ninho

NINHO

O riso, a rosa,
o ninho, o vinho.
O extraterrestre brinquedo,
a gente trocando carinho...
O canto, teu canto,
Vitrola, chão macio.
Não me sacio.
Não me sossego.
Você também não.
Dançamos no chão,
Se estabelecendo;
Tudo instalação.
Performáticos que somos.
Bailarinos da instante ação.
Estonteantemente, sim,
dançando numa só marcação. 



Marcelo Asth






Senti o perfume dessa rosa e desse vinho. Que cenário interessante. Ouvi tua música ali. "Dance, dance, dance, faça como Isadora". Faça como quem é feliz e dança numa só marcação. Tô feliz recebendo os poemas noturnos. Pensei em passar do "debaixo do beliche" pra "um baú". Que coloco sobre a cama de cima. São muitos poemas se somando e todos muito cheios de coisas boas.

Bloba


quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Poema: Desconstrução

DESCONSTRUÇÃO

Transpor uma camada espessa,
furando, rachando,
quebrando a cabeça.
O trabalho é dia a dia,
rotineiro,
de minar sabiamente
como um despedreiro,
implorando e despedindo,
implodindo e descascando
o muro assaltado de heras,
por eras, por erros,
por velhas quimeras de pedra,
argamassa e gelo.
Desconstrução 
Que desfaça a ação do apelo.
Transpassar o espaço espesso
e derrubar o que não mereço.
Assim esqueço.


Marcelo Azth 

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Poema: Intensidade

INTENSIDADE

Não cabe em mim tepidez.
Sou Sibéria ou Crato
no que tempera minha tez,
no que retesa o tato.
Nu, que é tesão no ato.
Cheio de intensidade, 
Sou oposto do gosto
Que invade.
Sou aquele que queima de frio
ou que de quente se arde.

Marcelo Azth

Poema: Farra

FARRA

Uma farra de vento
Transformando a duna,
Levantando a areia,
Assobiando lento.

No meu mar de nova espuma,
Lanço a missiva na garrafa.
Uma farra de letras,
Sentidos outros
Que só o vento sabe -
ele me viu escrever
no que meu navio emergia do naufrágio...

Conduz.
Eu vento.
Que só vendo. 

Farra.
Ele a fará no mar, no céu, no elo.
Ele esbarrará nas curvas do seu cabelo
e distribuirá mensagem, refrão em ritornelo
Por correntes quentes ou dessas de gelo.

Engarrafo um pouco de vento
Que gere redemoinhos
Pra centrifugar palavra e duna 
Em oceanos vazios...

Farra de forasteiro,
Expande transatlântico.
Vai à forra de tanto ventar,
Com lastro num rastro semântico,
Romântico a varrer o mar.


Na via aquosa
Alastra-se em mastro e vela.
Navio em prosa. 
O céu estrela.


Farreia lambendo a areia
E espanca a espuma
Nesse tão seu paraíso,
Borbulhando minhas palavras, 
Uma a uma,
Frugais de riso.


Marcelo Azth