quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Poema: Maré

MARÉ

Quando a gente se encontra 
nada nada contra a nossa maré, 
tudo é uma imensa onda que vai 
onde a gente quer.
E se não dá pé no mar,
a gente nada e não morre na praia.
A gente tudo é essa água toda,
que não pára de bater, de refrescar, de fazer som.
E nessa ondulação que vem do vento,
a massa d'água se distribui
E vai arrastando espuma
prum encontro na praia noturna.
No fluxo, o afluxo puxa a gente em corrente
e a gente se entrega no sal e na água. 
Ficamos à deriva, 
nos feitios enrolados
de nossas vagas marítimas.

Marcelo Asth

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Poema: Ver

VER

Abrindo os olhos para dentro
Vou entendendo que o problema é todo meu,
Não ser como deveria,
Adequado ao que desejo.
Pois olhando para fora
Vou entendendo o que de mim aflora.
Ser como eu não queria,
Arrastado atrás do que não vejo.


Marcelo Asth

Marchinha Carnavalesca Carregada de Ciúme

MARCHINHA CARNAVALESCA 
CARREGADA DE CIÚME

Eu sempre quis fazer 
um bom escândalo
de novela,
tocar fogo no barraco,
naufragar o nosso barco
e rasgar toda a vela.
Sempre quis que o meu ciúme
encontrasse um bom perfume
na lapela,
pra poder jogar minha ira,
descontar a ziguizira
em querela.

Você pode não dar motivos claros,
mas que você dá, dá sim.
Quem foi?
Quem foi?
Quem foi que te deu um alô no show?
Fui eu?
Fui eu?
Não foi.
Pois agora dou-me adeus.

Marcelo Asth



sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Poema: Amante da Arte

AMANTE DA ARTE

Nas portas com Portinari
Desmanchas Munch,
Vanglorias Van Gogh,
Debochas de Bosch,
Desvendas Da Vinci,
Escondes Scandisnky,
Achas Escher.

Margeias Magritte,
Miras Miró,
Empolas Pollock,
Anovelas Velásquez,
Ganhas Guinard,
Debruças em Debret.

Lambes Goya,
Mordes Picasso.

Em volúpias com Volpi,
Montas em Mondriani,
Cavalgas Di Cavalcanti,
Manejas Manet e Monet,
Bates pra Botero,
Botas em Botticelli.

Em cobertas com Coubert
Conheces a origem do mundo
No beijo quente de Klimt.

Cheiras Dali,
Amante da Arte,
Num segundo de tinta que pinte
Em toda parte.

Marcelo Asth

Poema: Galope

GALOPE

Se solto meus cavalos
Como solto meus cabelos,
O vento dos meus medos
Vai acabar por penteá-los.
Cem léguas me embrenho na bruma,
Com a língua lambendo a brisa,
Bebendo espuma.

Se volto com meus medos,
Em que toca hei de cavá-los?
Como faço pra cabê-los?
Entoco pra acabá-los. Pra não tê-los.

Dali nascem mil flores,
Feias, tortas; vezes mortas, frágeis...
Desejosas de um vento
Que venha a todo momento.
Galopam cheios de força
Meus cavalos tempestivos,
Abatendo feias flores no caminho.

Marcelo Asth



Esse poema já foi enviado a mim anteriormente. Não sei por qual motivo ele se repetiu. Mas levantei na madrugada, como sempre, de costume e o li em voz alta. Bateu diferente.

Bloba

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Poema: Carrossel

CARROSSEL

Quando meus olhos perdidos

Eu vi delirar como em sonhos,
Queriam um foco pra estabelecer
E viram seus traços risonhos.
Quando eu te quis foi assim,
Fui querendo cair no teu poço sem fim
E meu coração em alvoroço cantou,
Querendo saber desse moço.
Abri minha porta pra me adentrar,
Você me chegou sem querer hesitar,
Querendo saber dos meus planos
E quis ter sentido pra me excitar,
Querendo ser meus vinte anos,
Rastreando o futuro no ar.
Agora você valsa no meu salão
E salva a dança da minha canção,
Girando como carrossel no olhar,
Refiz o meu mundo pra você amar.
Quando os meus olhos achados
Eu vi poetizar meus encantos,
Revi o meu passo com o teu, lado a lado
E abandonei os meus prantos.


Marcelo Asth

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Poema: Fôlego

FÔLEGO


A minha casa o vento levou,
varrendo tábuas de desilusão.
Portas, janelas, gostando do voo,
despedaçando em contato com o chão. 

As maçanetas rodam sem abrir.
Os basculantes parecem-me aves.
Parafusetas podem colidir.
As fechaduras duras com as chaves.

Tantos tijolos em mil direções.
Tacos do piso querendo ser céu.
Torneiras abertas em borbotões.
Tapete voador como pipa de papel.

A casa saiu se ventando
espalhando a biblioteca.
Os eletrodomésticos rodopiando e
o piano batendo na mesma tecla.

Aquele lobo que ventou a mansão
morreu sem fôlego de tanto assoprar.
Minha casa foi ganhando amplidão,
distribuindo-se nas correntes de ar.

Marcelo Asth