quinta-feira, 7 de abril de 2011

Poema: Natação

NATAÇÃO

Bater braços.
Nada.
Tudo o que me afoga no mar
me afaga.
O cansaço da ânsia desperta:
o ar no pulmão me aperta,
a distância do cais me aparta. 
O caos não quero mais.
Por nadar, a água está farta.
O pulmão que abra e feche
pra eu conseguir boiar!
Bóia no mar.
Habito o que em mim se mexe
e se espraia em meu habitat.
Morrer na praia não deixe.
Que o mar não está pra peixe,
que o peixe não está pra mar.

Marcelo Asth




Há duas madrugadas, na hora de dormir ouvi o arrastar do papel mais uma vez enunciando a chegada de poemas novos. Marcelo Asth. Li na mesma hora, com o tédio abrindo espaço sobre mim e sobre o beliche. Eu gostava muito do que lia dele, antigamente. Os poemas pararam de surpreender como no início. Tanto pelo conteúdo quanto pela rotina da fricção do envelope sob a porta. Gosto dos poemas de León, de Dinorah Lima e dos outros que vieram, não sei. Marcelo Asth está vivo, mas não sei se entra neste meu blog tão particular. Como ele chega a mim diretamente, invadindo a minha privacidade, tenho a liberdade de criticar, dizendo que seus versos são de bobas rimas, falsas angústias e pouca alegria. Falta ser profundo de verdade. Repito que gostava dos antigos. Estes novos trazem alguma coisa boa, eu sei. Mas não me agradam mais. Precisam de revolução.

Bloba

Poema: Peso

PESO

Mil sonos irão me assolar,
pondo todo o peso na pálpebra.
Nos ombros a impressão de quilos.
No peito o peso daquilo.
Toda massa que amassa no chão,
coração batendo chumbo.
Respirar vem me doendo.
Recebo ar doando gás pro mundo.
Dentro de mim um carburador imundo.
A carne abraça os ossos
e a alma se esmaga esvaindo,
na calma pro fundo dos fossos
sorrindo.

Marcelo Asth

Poema: Valsa do Desalinho

VALSA DO DESALINHO

Viver,
este rito de espera.
Impera quem teme esperar
e finge que não desespera
o ritmo que tem que emperrar.

Não deixa fluida a dança
e lança fingindo deixar.
A música é a falsa esperança
de quem não consegue valsar.

O tempo que segue marcando
condena quem erra algum passo.
Os riscos marcados por terra
alinham o meu descompasso.

Marcelo Asth

Poema: Jogo

JOGO

Vida é preparo da morte,
ida no correr do dia,
volta quando se sabe o caminho,
se perde se muito se solta.
Se prende demais
arrepende.
Carinho faltando revolta.
Se muda o ato de espera.
Quem erra nunca faz falta.

Te vejas num tabuleiro,
dado o jogo sem tino e sem meta.
A roleta o destino soletra.

A vida é preparo da sorte,
independe querer jogar.

Se tens amor,
conjunta é a dor.
Se tens só a morte, 
azar.

Marcelo Asth

Poema: Mercado

MERCADO

Têm coisas que não
estão à venda.
Eu vejo os vendidos 
querendo comprar.
E vendo que estão
tão vendados,
me vendo
a preço popular.
Não tendo moeda que troque
ou não aceita a transação,
me cobro fora de estoque,
me cubro de falsa inflação.
Meu valor ultrapassa 
o meu toque de Midas.
Me vendo às escondidas
em sua liquidação.

Marcelo Asth

domingo, 3 de abril de 2011

Poema: Lógica

LÓGICA

Trigonometria do ser.
Tangentes pensamentos,
secantes lágrimas
descendentes das diretrizes.
Seno obsceno:
formas me observam.
Funções pro funcionamento.

Sinos dobram energia lógica.




Arquimedes Sampaio



Um poema lógico. Apareceu dentro da torradeira. Um surto de poetas que me procuram. Depositam suas criações nos meus objetos. Um invasão de letras que não entendo. Também não me entendo.

Bloba.

Poema: Esquecimento

ESQUECIMENTO

A montanha linda 
de aconchego
tem pássaros que invento.
Tem vento que leva
uma paz de enlouquecimento.
Um frescor bate em minha calma
e desapareço.
Está fácil de fazer o esquecimento.

Dulce Lavínia


Um poema de Dulce Lavínia (?) acordou relaxado, assim sentado na poltrona de minha sala. Uma letra de senhora, cheia de paz e melancolia.


Bloba.