quarta-feira, 9 de maio de 2012

Poema: De repente

DE REPENTE
De repente, quando você menos espera,
você espera, espera, espera...
E quanto mais se demora,
mais hora, mais hora, mais hora.
E quanto mais se irrita,
mais grita, mais grita, mais grita.
E quanto mais se acalma,
menos alma, menos alma, menos alma.
De repente, quando você mais age,
mais coragem, mais coragem, mais coragem...
E quanto mais você se desespera,
mais guerra, mais guerra, mais guerra.

Marcelo Asth

Poema: Questão

QUESTÃO
Não tem porque insistir.
Terá porquê querer?
Vale a pena fugir.
Refugiar pra quê?
Tem horas que eu canso.
Terei que lhe dizer?
Cansei do jeito manso.
Imensidão, pra quê?

Alba Hümms



Alba Hümms. Seu poema me apareceu hoje, quando eu estava chorando. Antes de eu assar um bolo. O poema estava dentro da lata de farinha.

Bloba

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Poema: Instagram sonho

INSTAGRAM SONHO
para Rafael Rodrigues

Abrir os olhos
e ser sonhando...
nos raios que cobrem a montanha,
as nuvens despencam avalanche.
As árvores cruzam e abraçam,
as cores derramam no instante.
Um carro antigo numa calçada
é um atrito entre tempos.
Abrir os olhos
e ver você
sonhando...

Marcelo Asth

Poema: Naco de lua


NACO DE LUA
Vamos jantar naco de lua.
Naco de lua.
O lúdico arco íris no lençol,
A íris arrebenta o arco nua.
Barco flutua.

Vamos flutuar pelo destino.
Vamos perambular por uma rua.
Pelada lua.

León Bloba 

Poema: Canto Demiurgo 2


CANTO DEMIURGO 2

Cerveja como as coisas são...
Bacardisse para mim:
- Absinto-me de me sentir.

Cachaçassinou a voz da razão:
- Amarulalá! De onde eu vinho?
- Sigo o meu próprio rum.
- Sigo o meu próprio rum.
- Amarulalá!
- Sigo o meu próprio rum...
Ypiocacreditei...

Curaçau pegando fogo.
Aguardente por dente.
Olho por olho
Vermute ver.
Pinga  
destilado de cá.

Champagníma, seus olhos, manhã...
Espumantes do sol nascer!
Camparia pelos copos
E pelas taças quebradas.


Alcóolinas de Teresópolis:
Vodkarro,
Tequila pro Rio...
51 km de estrada
De embriaguez.

Saquê que tem?
Whisky tem de bom?
Licorrendo o recado -
Cerveja como as coisas são.


Cíntia Luando, Lucas Nascimento e Marcelo Asth

em 06 de maio de 2012

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Poema: Borra


BORRA



Vou ler o teu destino
Na borra do capuccino.

Nós dois enfumaçados
No tempo-açúcar-cristal.

Premonições e vapores
Na fumaça de um café
De máquina.

León Bloba

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Poema: Notícias 2

NOTÍCIAS 2



"Ninguém reclama..." 
- todos reclamam.
Tem aqueles que saem
e nunca mais voltam.
Há memória encapsulada,
"foto de mil oitocentos e pouco",
"um brinquedo que eu tinha".
Há, há, sempre haverá, já.
Morre quem fala 
e a fala reclama.
E fica
na boca
de quem
dita.


"Ninguém reclama..." 
- todos reclamam.
Há muitas notícias no mundo.
Leitura em diagonal
como um corte cotidiano.
Eu sonho com uma casa de duende
beijando o rio, a rocha e o solo.
Amor é paisagem
e os detalhes estão dissolvendo.
Há tanto cansaço,
mas tanto amor,
que ninguém reclama.
"Todos reclamam".

Marcelo Asth
Poema-descrição do feed de notícias: 19  de abril até 23 de abril, às 20h50