domingo, 22 de julho de 2012

Poema: Pá


Um tapa na cara
pra acordar,
levanta a mão e indica.
E a ferida 
a latejar.

Peter Long

sábado, 21 de julho de 2012

Poema: Jardim

JARDIM

Quando, morrendo em saudades,
trazia o amor na ponta da língua,
minha boca foi calada -
toda a intenção à míngua.
Cada verso que brotava
foi podado com um talho
e hoje, meu jardim recortado
são poemas de retalhos.

Marcelo Asth

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Poema: ou


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um homem de sobrancelhas desenhadas
sorri seus olhos arregalados,
respira o ar tão leve -
que passa e desliza
em seu cavanhaque.


ou


dois tanques de guerra
apontam seus canos
um contra o outro -
numa queda de braços


um índio vê a cena
na terra em que nasceu.


Ele apenas pode correr.


Yonne Schar

Poema: Conexão

CONEXÃO

Num desespero de atração,
como ímã se chamando,
o que falta, se completa
na fricção.
Tudo é íon, tudo é cátion,
ânion não.
Tudo é o fio elétrico
da conexão.
Num exagero da atração,
como uma se somando,
energia se sondando,
dando em uma chupeta.

Marcelo Asth

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Poema: Arruaça

ARRUAÇA


Maritacas tijucanas arrulham,
tal qual taquaras rachadas
arruaçando o céu.
Nas avenidas de ventos,
brincam festivas
em trânsito aéreo -
Anunciando galhofas
e rindo do tédio.

Marcelo Asth  

sábado, 30 de junho de 2012

Poema: Cinco momentos de cansaço

CINCO MOMENTOS DE CANSAÇO


1.

Sistema de voto-contínuo.
Perpétuos
Eles são.
Prisão em reprise.
E leis são 
Insanas.
Sistema de veto-contínuo.

2.

O gado pastando,
cagando e andando,
sereno. 

3.

Pra que distribuir passado
se só pensa no futuro
do progresso condenado? 
Pra que distribuir presente
se o povo só se fode
com o embrulho do presidente?
Pra que prometer dentadura
se não rola uma comidinha
depois da candidatura?

4.

E esses putos 
que gostam de foder com o povo -
no pior dos sentidos...
e ainda assim,
vão se reproduzindo.


5.

Urna-funerária-eletrônica:
voto em vão -
zerésima agônica.

Marcelo Asth

sábado, 23 de junho de 2012

Poema: Memento Mori

MEMENTO MORI




Por um momento morro,
incide em mim o sinistro.
Um sino de badalo óbvio,
destino do meu início,
arrepia os meus cabelos
e exala segredos de exício.


A língua do sino me fala,
(me cala reverberando)
os planos dos anos que passam,
os passos que vão se somando
no vício de me rever beirando
A trilha do precipício.
E o sino reverberando
desde sempre um indício...


Me toma essa estranha calma...
Num torto tom de conselho,
poderia a minha alma
acalentar-se ao espelho.


Falaria falácias fáceis,
em ganas de enganar-se a esmo.
Procuraria muitas respostas,
só perguntaria o mesmo.


E cada antepassado
passa no reflexo do espelho -
e eu me relembro de todos
nos momentos que revejo.


Trinta gerações distantes
vão passando no meu medo.
E vem me sorrindo à fronte,
à frente de quem me vejo.


E fortes vão tremendo os sinos,
meus ossos em eco lembrando.
Tudo é memória e destino.


Me calo reverberando.


Marcelo Asth