quarta-feira, 17 de abril de 2013

Poema: Movediça

MOVEDIÇA

Tudo quebradiço na frieza frágil.
Tudo é cansaço, areia movediça.
Nada é inteiro, falta um pedaço.
Laço que desfaz porque é de seda a fita.
Abraço que não traz porque a vida é seca.
Talha o solo ao sol porque a terra racha.
Acha que é porque a vida sempre é cedo.
Medo que desarma a alma surda, aflita.
Flauta que não canta porque sofre de asma.
Pasma quando vê que todo dia acaba.
Mágoa que derrete todo instante ameno.
Peno de saber que dia desses morro.
Corro até de mim, pois que, senão, me engulo.
Pulo do abismo, pois que, senão, eu vôo.

Gregório Binder




segunda-feira, 18 de março de 2013

Gás


GÁS

Eu estou triste 
como a música 
do caminhão de gás
Que vai fundo 
Nas entranhas
E em ruelas -
Roendo o dia
No mistério
Auto falante
Lá de trás,
Do outro tempo
Em que despenca
A poesia.

León Bloba

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Meu barquinho titubeia,
Dois furos no casco, um mar.
Baloiça delírio, no vento o destino -
Querendo instantâneo errôneo afogar.
Soçobra a cada manobra, desmonta.
Só sobram os dois furos perdidos no mar.
E eu, que ria o desespero, parei.
Deixei o meu riso ligeiro afundar.

Poema: Lei

LEI

Amar é lei.
Amarelei.


Cristinna Palhoça

sábado, 1 de dezembro de 2012


CYBER

Saio nas ruas de bytes,
Chicletes e minissaia,
Por mapas googleficados
Conversando com perfis.
Fotografo cada trecho
Na memória arranhada.
Mas se fico off, deprê,
Me abrem novas guias
Compartilhando o hit, o bit:
É preciso cyberviver.

Meus pés cantam "Www"
No soar dos pixels espocados
.com o peso de apenas algumas arrobas,
Carregando #tralhas salvas em mim.
Preciso comentar o mundo -
Bug no login, erro de conexão.
Me se fico off, deprê,
Visualizo meu histórico,
tudo o que curti ao ver
Que é preciso cyberviver.

Marcelo Asth

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Etéreas

Tudo escuro na mata densa,
Na meia noite que a lua guarda.
Perco no espaço
Meu alumbramento...
Dentro de mim é só fumaça e sonho.

Em algum lugar, um índio é morto.
Ainda estamos em 1500.

Todo furacão lembra ao homem
Que ele é o homem.


terça-feira, 23 de outubro de 2012

Poema: Dodói

DODÓI


Medo dói.
Dói-me de modo
que domo o medo.

Dói, Dio mio... dói!
Medo do Demo!
Domado em redoma,
dodói de medo.
Tremo.

#

Dedo na ferida,
feri no dano
do medo,
ri da fera
querida
que ria
irada
mais 
cedo.

Quem fere por último,
feri melhor.


Farine da Silva