Que as crianças tombem -
Para aprenderem a andar.
Que também tombem os fortes -
Para conhecerem os fracos.
Que também tombem tumbas -
Para procurarem o espírito.
Que também tombem portas -
Para descobrirem formas.
Que também tombem mundos -
Para serem transformados.
Que também tombem Nada -
Para Tudo.
Teodoro Tombem
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
Poema: Percepto
PERCEPTO
Eu não acredito mais em nada:
Eu acredito eu tudo.
Entre indas e vidas,
Rodopiando mole como plasma,
Vendo tudo o que é pulso:
Fractais rosas máscaras tribais
Veado sapo coisa que não é descrita -
Tanta coisa distinta e
tanto tenta a tinta tonta,
Que titilo, cintilo ao senti-lo tinindo.
Mistério se apronta.
Tinha certeza - inda tenho dúvida...
Dádiva da vida - inda tenho dívida...
Abre um buraco e um mundo
Mente multidividida.
Ellós Forbetor
Poema: Muda
MUDA
Muda para plantar
Miúda muda surda
Espera cega enraizar
Muda duma árvore
Dura como mármore
Espera paciente
Muda a transformar
Raiz de muda afunda
Busca ar sob o chão
Água lhe toma inunda
Engrossa sobe do chão
Abduzida pelo sol
Presa no solo
Entre energias
Nutre muda vira árvore vida
Semente muda
Somente muda
Para plantar
Pai Mulato
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
Cavuca
Regando a terra que tenho que cuidar, participando da terra, na responsabilidade de cavucar a própria pele, a terra revirar, estando minhoca viva e presente, molhando o próprio duto no solo, cavando pra dentro de si mesmo, fazendo encontrar a luz, a réstia do sol bebendo o espírito. Trator da vida, derrubando tudo sem destruir, reciclar, fazer o movimento brotar, deslocar para caber, o caule ou qualquer outra coisa aparente. Tudo que se cria, brota, renova e pode ser banal por ser mais uma plantação, mais uma criação, mas criar é um espanto, é novidade sempre que se pode ser. É preciso responsabilidade para se plantar, terraplanar, terra plana, plena, tudo o que se cria se oferenda, oferta pros deuses que não tem nome, que moram no esquisito silêncio que não podemos ouvir. Pode-se abrir o ouvido da terra e plantar eternamente no silêncio. Pode-se comer a terra, se enterrar com impulso pra baixo, mas terá de se nascer, brotar, resplandecer. O intuito de tudo deve ser coerente, não no que se faz sentido, mas tendo por obrigação que ser verdadeiro.
quinta-feira, 27 de junho de 2013
Poema: Gangorra
GANGORRA
De um lado da boca,
Uma parábola ascendente.
Do outro lado,
outra, descendente.
Uma gangorra desenhada em linhas
Decadentes.
Efervesce espumando
cólera,
alegria,
gozo
e medo,
Um coração que testa a si mesmo
Subindo e descendo
Os lados da mesma gangorra,
Condescendente.
E que transborda,
De repentemente,
Da borda da boca
E dos dentes.
Plínio Xavier
sábado, 15 de junho de 2013
Poema: a grande aranha
A GRANDE ARANHA
Imagine uma aranha-gigante -
Mas gigante mesmo! -,
Maior que o Pão-de-Açúcar.
Ela anda pela cidade,
Mas não é como monstro de filme.
Sua passagem gera comoção
E o impacto das patas no solo
Promove estrondos que ecoam
Como trovões distantes
De tardes mansas.
Oito muletas.
As pessoas apenas desviam
E saúdam a aranha e batem palmas...
Ela passa gigante e lenta
Por cima das ruas,
Dos carros,
Da cidade.
Calçadas permanecem plácidas.
Nada se altera.
A grande aranha entra
Na Praia de Botafogo
E parece que segue
Para a Baía de Guanabara.
Marcelo Asth
Marcelo Asth
terça-feira, 11 de junho de 2013
Poema: CenáRio
CENÁ RIO
Essa liberdade que dói,
Falsamente esculpida.
Mortos nas gaiolas
Os pios de uma juventude esquecida.
A alfombra do tempo
Levemente revirada -
Os anos voltam como espirais.
Cerceadamente o gavião sobrevoa
E povoa de sombras
Os traços das ruas repletas.
A paz é apenas migalha de alpiste,
Pastiche de felicidade.
Éramos todos pulso
Na carne da cidade perdida,
Voando pelas ruas em busca de ar.
Essa revoada desmedida
Em meio a um erro de lástimas,
Essa brutalidade, essa pedra bruta
Retirada das paredes rasgadas.
Esse peso mal lapidado
Retrata em suas faces os tantos
Que se expõem no brilho
De um sonho.
Marcelo
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