quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

RADIOU

RADIOU

O mistério é cristalino,
Basta apenas enxergar.
O mistério é cristalino,
Basta apenas enxergar.
Mas pra isso é bom abrir
Não só olhos, mas bem mais.

Radiou uma Paz,
Radiou uma Paz
Pelos olhos do Amanhã,
Pelas bocas lá do Atrás.

Radiou uma Paz,
Radiou, irradiou,
Radiou, radiou
No presente dessa Paz.



Príncipe Orclã

FOGO

FOGO


Bruxuléia a chama no toco,
 O fogo na dança serena.
Queima e crepita a matéria,
Madeira estalando se agita.
Basta um olhar no que queima,
Consome o mal que te espreita,
Chama pra terra o oblíquo,
Sobe a fumaça que eleva.
Leva o viço da seiva,
Lambe a casca da selva.

Enquanto se baila a chama,
O mundo balança em espera.


Príncipe Orclã

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Sabedoria

SABEDORIA


A dois mil pés, abaixo do fundo improvável,
O bicho profundo soprou meu nome
E o silêncio o coroou na sabedoria.
A borbulha fétida dos gases mestres
Subia lenta nas correntes gélidas
E sacudia todo o bastante mar vibrando.
Bateu na cauda da baleia e nos trouxe mais um segredo do mundo.

Dois mil anos após,
Na praia congestionada de corpos,
Ardi meus olhos no sal da onda
Que me trouxe ainda vivo
Meu nome rasgado das bocas de outrora -
Abissal melodia lançada na areia.

Admirável proeza do tempo,
Fazer dos mistérios divinos
Algo velado, sereno e invisível no mundo.

Príncipe Orclã

domingo, 8 de dezembro de 2013

Tudo

TUDO

As veias da minha testa
Ponta dos galhos da árvore
Raízes engordando
Vasos no branco do olho
Canais dutos corredeiras
Cascas que envolvem o sagrado
Derramando e esquentando

Aquela onda batendo no peito
E o sal enchendo os olhos
Rodai moinho rodamoinho girando
A galáxia formando
Todo o pó liquidificando
Rodai espirais de encanto

O fluxo vibrando rodando
Nada está, estável, pés firmes mudando
A dança viva dançando
E a gente também cantando


Príncipe Orclã 

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Vapor



Fui rasgando a seda que revestia o gozo -
Cobra na troca do espesso couro -,
Ardendo carne no oxigênio,
Queimando as bordas de estranhas vestes.

Despelar labirintos das cascas inertes,
A airosa pele antes esquecida.
Não mais andrajos, nem mais adornos...
Talvez a áurea da manta celeste.

Num movimento como o das dormideiras,
Minhas folhas foram tecendo tímidas
Rastros que abriam o delicado ventre
(Pra eu entender que por debaixo tinha
As muitas camadas e espaços entre).

E o poroso tecido que meu corpo abria
Sugou, como por osmose, o meu amor no mundo,
E fez com a luz, como com a clorofila,
Em devoção, devoração do Sempre -
Como animal bebendo o leite fresco cósmico,
Num estranho processo natural de cria.

Minha pele deu dois goles no rio, no vapor e na força
E nutriu-se verdadeira de poesia.
Não só meus olhos, que só me conduziam:
todo meu corpo comungando a vida.

Príncipe Orclã

domingo, 22 de setembro de 2013

CURA

CURA

Quem pula sem o preparo
É capaz de vomitar
Preparado divino
Faz sapo querer voar

Sansara cururu maracá 
Sara aqui cura acá
coração cura ação
Sapo pula ali e lá
Entre céu entre chão
Sansara roda na mão
Maravilha vi rodar


Ió Landa

domingo, 15 de setembro de 2013

Poema: Segredo

SEGREDO


- Cara, alho dourado no óleo!
(Olho você bolado com tudo refogando...)

•—•

O segredo do feijão moreno
É o louro.


Marcelo Asth