Eu celebro
eu cérebro
eucarionte
mundo carioteca.
Eu carente
eu Caronte
eucaristia
mundo humanoteca.
Eu querente
eu caliente
eucarinho
mundo hipoteca.
quinta-feira, 20 de março de 2014
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
Silhueta
SILHUETA
Hoje a noite é bonita
E maior que de dentro de mim.
Meu olhar se acostuma ao negro
E longe vejo a noite deitar a montanha.
Não só silhueta:
Nuanças, uma terra toda debruçada.
Quanto mais foco no alto,
Mais profundamente enxergo,
Olhar no túnel que veste opacas nebulosas.
Sem utilizar os números,
Talvez eu conte nu as estrelas.
Se continuo a olhar no escuro
Será quão claro eu vejo?
E quanto mais vou seguindo,
Mais preciso me reencontrar.
Marcelo Asth
Cadente
CADENTE
Esse céu de janeiro,
Noturno aberto, expandido,
Faz parecer que todos os seres o olham:
Tudo vai aparecendo,
O olho vai encontrando...
Tudo vai aparecendo,
O olho vai encontrando...
Quanto mais estrela eu olho,
Mais estrela eu vejo.
Foi por estar triste que fiz um desejo
E uma estrela foi raio, caiu, coisa de deus.
Ela me deu um choque
E continua a despencar dentro de mim em arrepio.
Entendi, janeiro, que quando uma estrela cai,
A gente sobe aos céus!
Marcelo Asth
sábado, 25 de janeiro de 2014
MÃO À PATA
MÃO À PATA
Não matar um leão por dia:
domá-lo sem chicotes,
sem provocação do medo
no arremedo do poder.
Encará-lo e ver lindos seus dentes,
sentir seu bafo de fera,
seu sangue de raça
e sua alma de terra.
Ver Deus acenando em sua goela -
prova viva do respeito mútuo.
Tocar sua juba deserta, seca, vistosa,
acariciá-lo com mãos de uma árvore dura.
Fazer dos olhos um espelho
e mostrar seu dentro -
que lá há um leão também brincando savanas,
há bestas sonolentas e outras panteras
roendo a carne do seu pensamento vivo.
Deitar ao seu lado
dando mão à pata
narinas ao focinho,
reconhecendo,
se apresentando à força
no brilho
ponderável
da presença.
Forte selvageria atávica,
virar bicho,
virar sereno,
veneno,
mato,
flor,
trigo.
Não matar um leão por dia, nunca.
Amá-lo na rigidez dum rugido.
Marcelo Asth
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
Divino Feminino
DIVINO FEMININO
A primeira porta de saída
Porta de entrada pro desconhecido
Porta de entrada pro desconhecido
De todo ano velho que eu parto
Parto pro novo gerado e gerido
A vida se anuncia de possíveis
Abra seus mil olhos pro que é merecido
Toda mulher guarda um mistério crível
De reproduzir um mundo desmedido
A mulher é verbo e adjetivo
Plural Substantivo feminino
Aja linda ainda que pareça finda
A esperança, que sempre ilumina
Seja menina ou menino
Brota no feminino
O recomeço, o passo, o aço
O laço, o traço que se firmará
Realizando o destino
Brilha no ser divino
Dia após dia, cria, ria,
Fantasia a se renovar
A Primeira casa
A Primeira asa
Uma mulher
Nananananã
Nananananã
Uma mulher
Parto pro novo gerado e gerido
A vida se anuncia de possíveis
Abra seus mil olhos pro que é merecido
Toda mulher guarda um mistério crível
De reproduzir um mundo desmedido
A mulher é verbo e adjetivo
Plural Substantivo feminino
Aja linda ainda que pareça finda
A esperança, que sempre ilumina
Seja menina ou menino
Brota no feminino
O recomeço, o passo, o aço
O laço, o traço que se firmará
Realizando o destino
Brilha no ser divino
Dia após dia, cria, ria,
Fantasia a se renovar
A Primeira casa
A Primeira asa
Uma mulher
Nananananã
Nananananã
Uma mulher
Marcelo Asth
quarta-feira, 1 de janeiro de 2014
RADIOU
RADIOU
O mistério é cristalino,
Basta apenas enxergar.
O mistério é cristalino,
Basta apenas enxergar.
Mas pra isso é bom abrir
Não só olhos, mas bem mais.
Radiou uma Paz,
Radiou uma Paz
Pelos olhos do Amanhã,
Pelas bocas lá do Atrás.
Radiou uma Paz,
Radiou, irradiou,
Radiou, radiou
No presente dessa Paz.
Príncipe Orclã
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