segunda-feira, 27 de maio de 2013

Poema: Bodas de Sangue


BODAS DE SANGUE

Lá vem a velha requitivelha
Com a navalha para esconder...
Seu outro filho morreu em batalha -
foi a navalha que o fez morrer.

Seu filho novo tornou-se noivo
De uma mulher que quis o inimigo
Em seu passado tão mal passado
Que foi buscar pra ti um mais amigo.

Lembra que quando de casa sair,
Sai então como estrela.
Fartura de uva e rami!
Os frutos nascem para vê-la.

Tão bela noiva, tão desgraçada.
De um homem, de braços pobres
Para um braço rico que trabalha
Pra juntar seus ricos cobres.

Mas o amor - que traiçoeiro! -
Vem a galope num trote de arqueiro
Que em movimento acerta o peito em cheio
E trás de volta a moça ao seu recreio.

Então a nora vai-se embora
(é seu destino e agora chora),
Com um felino, pai de um menino
Que nesta hora está a ninar.

O cavalo não bebe mais a água,
A navalha não desfaz a mágoa.
Põe-se a triste mãe então a chorar.

Lá vem a velha requitivelha,
Não tem navalha para esconder...
Seus pobres homens foram em batalha,
Com a navalha que os fez morrer.

Marcelo Asth
(2007)

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