segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Cavuca

Regando a terra que tenho que cuidar, participando da terra, na responsabilidade de cavucar a própria pele, a terra revirar, estando minhoca viva e presente, molhando o próprio duto no solo, cavando pra dentro de si mesmo, fazendo encontrar a luz, a réstia do sol bebendo o espírito. Trator da vida, derrubando tudo sem destruir, reciclar, fazer o movimento brotar, deslocar para caber, o caule ou qualquer outra coisa aparente. Tudo que se cria, brota, renova e pode ser banal por ser mais uma plantação, mais uma criação, mas criar é um espanto, é novidade sempre que se pode ser. É preciso responsabilidade para se plantar, terraplanar, terra plana, plena, tudo o que se cria se oferenda, oferta pros deuses que não tem nome, que moram no esquisito silêncio que não podemos ouvir. Pode-se abrir o ouvido da terra e plantar eternamente no silêncio. Pode-se comer a terra, se enterrar com impulso pra baixo, mas terá de se nascer, brotar, resplandecer. O intuito de tudo deve ser coerente, não no que se faz sentido, mas tendo por obrigação que ser verdadeiro.

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