sexta-feira, 1 de junho de 2012

Poema: Bolo

BOLO



Bateu aquela pena de mim
como quem bate claras em neve,
num tempo de preparo em solidão,
revendo angústias na batedeira.
O forno já está quente como um coração
e a alegria está na geladeira.

Quando você vem com a memória de farinha,
já vou com o bolo que aperta lá no fundo. 
Me vem um choro de manteiga derretida -
não sou de pranto, que eu sou de açúcar.
Não há ingredientes pra fazer felicidade,
que essa receita já está batida.

É fogo... mas não tenho uma fôrma apropriada
E nem me esquento, que eu unto a dor.
O bolo que preparo tem receio doce.
E o bolo cresce, o bolo fermenta...
E fica enjoativa essa angústia de detalhes,
que é granulada a tristeza em guloseima. 

O tempo de preparo 
para o mundo é tão incerto
que todo esse bolo
sola e queima.

Marcelo Asth

2 comentários:

  1. Marcelo, que poema.... Comentários,não cabem. Só admiração e sentimento... Beijos

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  2. Delícia de poema! Sabor de pouco, de quero mais...

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