segunda-feira, 25 de julho de 2011

Poema: Olimpo

OLIMPO
para Rafael Rodrigues

A Morte de Jacinto - Jean Broc

Me pegou pelos seus braços
Como bebê embalado,
Ovelha desnovelada,
Como bicho em sacrifício.
Não derramou o meu sangue,
Mas o fez em ebulição.
Meus sentidos em acordo,
Desacordados em adoração...
Me levou ao alto templo,
Num tempo de devoção.
Num cume de nuvens turvas,
Me encaminhou pelas curvas,
Doido de alucinação.
Oferenda para a chuva
Em ditirâmbicos ruídos.
Psique e seu Cupido
Na doce festa da uva:
Meu carinho ele bebeu.
E ali, nos braços teus,
Me vi na alma de um deus.
E como presa na flecha
de Artemisa - acredite -,
Me vi no colo de Apolo
E nos seios de Afrodite.
Em tanto zonzar e delírio,
Nos ventos de seus rituais,
Morri como Jacinto, num lírio,
Formoso e inscrito de ais.

Marcelo Asth

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